A taxa de entrega no delivery pode subir até 68% se o piso nacional de R$ 8,50 por entrega, em discussão na regulamentação do trabalho por aplicativo, for aprovado, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), em fevereiro de 2026.
A entidade projeta também pedidos até 25% mais caros com o novo piso.
O que este artigo aborda:
- O que está em discussão sobre o piso por entrega nos aplicativos?
- Quanto a taxa de entrega no delivery pode subir com o piso de R$ 8,50?
- Por que o pedido pequeno e de curta distância sente mais o aumento?
- Qual o peso do delivery na receita de bares e restaurantes?
- A leitura de quem acompanha a operação de delivery dos restaurantes
- O que o restaurante pode revisar na operação antes da mudança?
O que está em discussão sobre o piso por entrega nos aplicativos?
A proposta em debate cria uma tarifa mínima nacional por entrega feita por trabalhador de aplicativo, somada a adicionais obrigatórios.
O tema faz parte da regulamentação do trabalho nas plataformas digitais, tratada em projeto de lei complementar no Congresso Nacional, e a Abrasel, que representa bares e restaurantes, se posicionou contra o desenho atual por entender que tarifas mínimas e adicionais obrigatórios elevam os custos de quem vende pelo delivery.
No posicionamento divulgado pelo Giro News em 4 de fevereiro de 2026, o piso considerado pela Abrasel é de R$ 8,50 por entrega. Os percentuais de impacto são projeções da própria entidade, e não o resultado medido de uma regra que já esteja valendo.
Para o dono de restaurante, a leitura prática é acompanhar a tramitação sem tratar a estimativa como certeza. Mesmo assim, já dá para saber em que ponto da conta o piso entra, porque ele mexe no custo mínimo de cada corrida.
Quanto a taxa de entrega no delivery pode subir com o piso de R$ 8,50?
A alta estimada chega a 68% na taxa e 25% no pedido, segundo projeção da Abrasel publicada pelo Giro News em 2026.
Os dois percentuais medem coisas diferentes, já que o primeiro recai sobre o valor cobrado pela entrega e o segundo sobre o total que o cliente paga, e por isso o restaurante precisa olhar as duas linhas da conta antes de decidir se repassa, divide ou absorve o custo adicional.
Com o piso, a taxa de entrega no delivery ganha um valor mínimo que não depende da distância percorrida. Quando o custo mínimo por corrida sobe, encolhe a margem de manobra para oferecer frete reduzido ou gratuito.
Repassar todo o aumento ao cliente pesa na decisão de compra, enquanto absorver tudo reduz a margem de cada venda. A escolha depende do tíquete e da margem de cada item, dados que cada operação tem na própria base de vendas.
Por que o pedido pequeno e de curta distância sente mais o aumento?
Uma tarifa mínima fixa pesa mais, em proporção, sobre o pedido de valor baixo e trajeto curto.
Na corrida longa, o valor calculado pela distância tende a superar o piso, enquanto na entrega de poucos quarteirões é o mínimo que passa a definir o custo, e esse valor fixo, dividido por um pedido barato, vira uma fatia maior da venda do que em um pedido grande.
O custo de entrega não chega sozinho.
No iFood, a taxa nominal costuma variar entre 12% e 27% e o custo total das vendas pode passar de 30% em alguns casos, segundo pesquisa da Quaest publicada pelo E-Commerce Brasil em março de 2026.
O levantamento ouviu donos de restaurantes de São Paulo e Goiânia.
Lido ao lado da projeção da Abrasel, o dado mostra que o aumento da taxa de entrega no delivery se soma a um custo de plataforma que já consome parte relevante de cada venda.
Para quem vende muitos pedidos de baixo valor perto da loja, esse é o primeiro ponto a medir. A pergunta é quanto sobra de cada pedido pequeno depois da comissão e do frete.
A operação mais exposta combina raio curto e tíquete baixo, como lanches, cafés e sobremesas vendidos de forma avulsa. Quem opera com entrega própria também precisa refazer a conta, porque o desenho final da regra ainda não está definido.
Qual o peso do delivery na receita de bares e restaurantes?
O delivery está em cerca de 80% dos estabelecimentos e gera perto de 20% do faturamento, segundo a Getnet no Monitor Mercantil.
Com o tíquete médio do delivery em R$ 66,21 por refeição em 2025, de acordo com o mesmo levantamento publicado pelo Monitor Mercantil, qualquer aumento fixo por entrega passa a ser comparado a um valor de pedido moderado, o que explica a atenção do setor à regulamentação.
| Indicador | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Piso por entrega em discussão | R$ 8,50 | Abrasel, via Giro News (fevereiro de 2026) |
| Alta estimada na taxa de entrega | até 68% | Abrasel (projeção) |
| Alta estimada no preço do pedido | até 25% | Abrasel (projeção) |
| Taxa nominal do iFood | 12% a 27% | Quaest, via E-Commerce Brasil (março de 2026) |
| Custo total em alguns casos | acima de 30% | Quaest, via E-Commerce Brasil |
| Estabelecimentos com delivery | cerca de 80% | Getnet, via Monitor Mercantil |
| Participação no faturamento | cerca de 20% | Getnet, via Monitor Mercantil |
| Tíquete médio do delivery | R$ 66,21 em 2025 | Getnet, via Monitor Mercantil |
Lida em conjunto, a tabela mostra um canal presente na maioria das casas e com tíquete moderado, combinação que deixa pouca folga para aumentos fixos.
Para o gestor, o ponto de partida é conhecer o tíquete médio da própria loja e compará-lo com o custo mínimo por entrega que pode vir com a regra.
A leitura de quem acompanha a operação de delivery dos restaurantes
Consultores que acompanham operações de delivery tratam a taxa de entrega como variável de gestão, ligada a cardápio, margem e dados de venda.
Vanfer Brito soma mais de quinze anos de experiência no mercado de alimentação, com passagem por diferentes operações e prática em vendas, gestão, margem e entrega, e atua como consultor de food service a partir do Rio de Janeiro, com público em todo o Brasil.
O consultor é fundador da GT Consultoria de Restaurantes, que ajuda negócios de alimentação a melhorar a gestão e o desempenho no delivery. O trabalho envolve análise de dados de vendas, estratégias de cardápio e promoções, atendimento, entrega, gestão de plataformas e acompanhamento de equipes.
A visão defendida por Vanfer Brito é que vender mais no delivery não depende apenas de promoções.
Para o consultor, o resultado também vem de análise de dados, estrutura do cardápio, margem, experiência do cliente e execução operacional, os mesmos pontos que ganham peso se a taxa de entrega no delivery subir com o piso.
O que o restaurante pode revisar na operação antes da mudança?
O restaurante pode revisar raio de entrega, pedido mínimo, cardápio, margem por canal e dados de venda antes de qualquer regra nova.
Nenhum desses ajustes depende da aprovação do piso, e cada um ajuda a medir quanto da taxa de entrega no delivery a operação consegue absorver, quanto precisa repassar e em quais pedidos o custo fixo por corrida transforma uma venda lucrativa em prejuízo.
- Raio e faixas de entrega. Mapear de onde vêm os pedidos e qual faixa de distância concentra os de menor valor ajuda a decidir se vale criar faixas com taxas diferentes.
- Pedido mínimo. Um valor mínimo compatível com o custo por entrega evita que o pedido muito pequeno saia no prejuízo.
- Cardápio pensado para o delivery. Combos e itens de maior margem e menor custo operacional elevam o valor de cada pedido sem depender de desconto.
- Margem por canal. Separar o resultado do salão, da retirada e de cada plataforma mostra onde a comissão e o frete pesam mais.
- Leitura de dados de vendas. Acompanhar tíquete, frequência e custo por pedido permite simular o efeito do piso antes que ele exista.
Nenhuma dessas medidas promete resultado sozinha, e o efeito depende do desenho final da regulamentação. O ganho está em discutir a mudança com números próprios, e não apenas com a estimativa do setor.
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