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A logística de produtos volumosos deixou de ser um detalhe do comércio eletrônico e virou operação separada, com peso médio de 98 quilos por item. Quem compra bancada, porcelanato ou mobiliário pela internet passou a depender dessa cadeia paralela. O prazo, o custo e a responsabilidade pela entrega seguem outra régua.

O que este artigo aborda:

Empilhadeiras e equipe movimentando cargas de grande porte no interior de um centro de distribuição
Empilhadeiras e equipe movimentando cargas de grande porte no interior de um centro de distribuição
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Por que o item grande não cabe na esteira padrão do e-commerce

A malha logística do varejo online foi desenhada para caixa pequena, padronizada e de alto giro, condição que o item pesado não cumpre.

Levantamento publicado pelo portal Logweb descreve uma operação dedicada a itens volumosos que movimenta 30 mil toneladas por mês. O peso médio por item chega a 98 quilos, número que muda veículo, equipe e forma de armazenar. A mesma operação registra 94,9% de SLA, o índice de entregas feitas no prazo combinado, contra 81,1% do mercado.

A distância entre os dois índices indica que o gargalo do produto grande está na estrutura, e não no transporte disponível. Carga que não empilha exige doca, empilhadeira e roteirização próprias.

O cálculo do frete também muda de lógica com a cubagem, a conta que transforma o espaço ocupado em peso. Um item leve que ocupa meio caminhão paga como se fosse pesado. A logística de produtos volumosos nasce dessa distorção entre volume e peso real.

A régua de peso e centímetros que define quem entra no fulfillment

Fulfillment, o serviço em que o marketplace guarda e despacha o produto do vendedor, passou a recusar itens pelo atributo físico.

Pelas regras do programa de fulfillment, o corte é de 20 quilos, 80 centímetros em qualquer lado ou 125 litros. A publicação Base registra que o critério vale por SKU, o código de cada produto, e não por categoria. Basta estourar uma das três medidas para o item sair da infraestrutura padrão.

Medida do produtoLimite do fulfillment padrão
Pesoacima de 20 quilos
Dimensãoqualquer lado acima de 80 centímetros
Volumeacima de 125 litros

O detalhe pega o comprador de obra desprevenido. Uma peça leve porém comprida, como uma bancada de dois metros, passa dos 80 centímetros e sai da esteira comum. O produto continua à venda, com outro plano de entrega por trás.

A régua não olha o valor do produto. Uma peça barata e comprida sai do programa, enquanto um item caro e compacto permanece. O critério é físico do começo ao fim.

O que uma operação dedicada a itens pesados faz de diferente

Operação dedicada muda três frentes ao mesmo tempo: armazenagem, manuseio e transporte.

O armazém precisa de vão livre e piso reforçado, porque a carga não sobe em estante comum. O manuseio deixa de ser trabalho de uma pessoa só e passa a exigir equipamento. O transporte pede veículo com capacidade e rota planejada pelo peso da carga.

A rota também muda de desenho. Cada parada de item pesado consome mais tempo do que uma sequência de pacotes pequenos. O planejamento passa a considerar acesso, elevador e espaço de manobra no destino.

A operação descrita pelo Logweb ampliou em 40% a área logística para sustentar esse formato. O investimento aparece em espaço físico e equipamento, não apenas em frota. Boa parte da conta da logística de produtos volumosos está parada no chão do armazém.

A leitura de quem opera fulfillment especializado

Do outro lado da régua está quem movimenta item pequeno, padronizado e de alto giro.

Matheus Anselmo é fundador e CEO da LOG18K operador logístico, empresa de fulfillment voltada a marcas de suplementos e nutracêuticos. A operação movimenta mais de 60 mil produtos por mês e atende mais de 30 operações ativas. A empresa trabalha no extremo oposto da carga volumosa.

“Operação logística não é genérica. Quando decidimos atender exclusivamente suplementos e nutracêuticos, foi porque processo desenhado para um perfil de produto não se aplica a outro.

Quem movimenta item pesado precisa de estrutura, manuseio e transporte próprios, do mesmo jeito que precisamos desenhar a nossa para volume fracionado e alto giro”, afirma Anselmo.

Para o executivo, o efeito chega na ponta ao consumidor final.

“O consumidor não separa a loja da entrega. Se o pedido chega atrasado ou danificado, quem perde a recompra é a marca, não a transportadora.

Cada pedido expedido é uma promessa que precisa ser cumprida com precisão, e o futuro do e-commerce vai ser definido por quem entrega melhor, não por quem vende mais.”

A leitura ajuda o comprador que espera um item de obra. A logística de produtos volumosos segue régua própria de prazo e de responsabilidade.

O que muda para quem compra item grande durante a obra

Para o comprador em obra, a logística de produtos volumosos muda o prazo, o custo do frete e quem responde pela entrega.

Em cobertura do E-Commerce Brasil sobre logística de itens pesados, Diego Aguilera lista os indicadores que governam esse tipo de operação. Entram o percentual do frete sobre o preço do produto, o prazo e a capacidade de transporte. Conversão e conciliação fecham a lista.

Antes de fechar o pedido, três checagens reduzem o risco de obra parada:

  1. Peso e dimensões na ficha técnica do produto, que definem se ele entra na entrega padrão
  2. Quem executa a entrega e quem responde por avaria, o marketplace ou o vendedor
  3. Se o endereço exige montagem, subida por escada ou içamento

O Código de Defesa do Consumidor trata o prazo informado na compra como parte da oferta. O comprador pode cobrar a data prometida de quem vendeu, mesmo quando a entrega é terceirizada. O SAC do lojista costuma ser o primeiro canal dessa cobrança.

O item que sai do padrão tende a ter janela de entrega mais longa. Programar a compra antes da etapa da obra que depende dela evita canteiro parado. Bancada, louça sanitária e piso pedem essa antecedência.

A separação por perfil de carga também tem limite. Item pequeno e de alto giro continua mais barato e mais rápido na esteira comum. A logística de produtos volumosos compensa quando o produto não cabe nessa esteira.

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